Ontem, suavemente senti um beijo teu. Um beijo de amor e de dor. De carinho e saudade. De piedade. Ontem senti o que jamais gostaria de sentir. Senti você em mim. Senti como antes. Senti como um beijo perdido em um horizonte de perdição. Eu e você. água e óleo. Chuva e sol que se cruzam quase nunca, e quando acontece, também chega com desconforto. Te amar é o suplício de minha alma. Te amar foi o suplício de meu querer insano. Querer doente. E crente que isto era o tal amor. Te amar, é como morrer aos poucos. Não pelo amor em si. Mas o não ter completo. É certo que o amor constrói, e nós? Destruímos o que pouco temos. O que tínhamos. E os filhos e a vida? A casa perdida? Te amar é como doença contagiosa. Lepra. Mata. Evita contato. E outros amores. Te amar é como morrer aos poucos e louca. Tola de mim. Burra nós. Te amar foi como um vendaval. Como um furacão. Foi como uma escalada cansativa pra no fim, não encontrar tanta beleza.
Te amo, e amo por não saber o que fazer com esses restos de nós que ainda embebedam a mente. Por não saber o que fazer com as lembranças que ainda insistem em rodear. Como um lobo solitário eu sou e vou. Te amo por não ter mais jeito e o negar é como uma bomba que me consome por inteira. Implode-me como uma louca. Porque a vida é como isso e esse tal amor doente de nós. De mim. Metades segregadas de um inteiro concreto. Metades partidas paridas de uma puta qualquer. Amor falido. Fodido e mal pago. Amor que mata pouco de mim todas as manhãs. E sem ele nada sou. Sem você sou cacos que apanho em cada amanhecer. Sou pequenas rupturas da sanidade humana. Sou pequenos fragmentos de uma vontade uniforme. Única. Amar, é como morrer em plena vida. É como morrer em pleno vôo. Como subir a tal montanha, e se jogar em queda livre.
Amo porque amo, quero porque não tem mais jeito. Não nego mais pra mim. Só para os outros e pra ti, que é o objeto deste amor desvairado e por muito louco. Nego para quem possa dizer que eu sou uma romântica louca que acredita em contos mal contados. Finais felizes. A vida é trágica por si. É de sua natureza matar todos em vida. É trágica e pobre. Louca e puta. Forte e má.. A vida, é a tortura do amor tido e que tenho. E venho por aqui dizer que, sem você, sou apenas trema na língua portuguesa. De nada sirvo. E nada sou. Se você, seus olhos e cheiro, sou um bobo que vejo chorar na TV.