terça-feira, 8 de março de 2016

Cheiro dela

E dos cheiros doces, o teu era o que embriagava. O que arrematava sensações que até um segundo anterior, eram inexistentes. Desses cheiros que são possíveis e não de serem decifrados. O teu cheiro, é desses cheiros que tomam conta do espaços. Que em todas as fragrâncias ou em cada nota que é possível imaginar gosto. Possível imaginar cada sabor do cheiro. Cada sabor do cheiro de cada nota existente em ti. Redundâncias. Ciclos aromáticos intermináveis.

Em cada nota doce, amadeirada, pueril, me deparo com um intenso estar teu. Em cada respirar profundo, a taquicardia é mais notada em mim. O suar frio. O entontecer sem motivo. A espontaneidade que minha face quase faz corar ao sentir teu cheiro, é de uma constância infinita. E fechando os olhos, é possível com tal tranquilidade, me transportar para um campo aberto, com um mar de flores caidas ao solo. Flores de jambo. Arroxeadas. Delicadas em sua pura existência. Em formato e tom. Com essas notas adocicadas. Notas que são possíveis sentir em momentos específicos do ano, mas em ti, parece fazer morada. Faz morada e deixa morar. Outros aromas. Outros cheiros. Outros.

Parece que teu cheiro em ti, parece tão só teu, que imaginar o deslocar disto para outro alguém, parece leviano o pensar apenas. Ainda que saibamos que cada qual possui seu cheiro, há cheiros que são tão comuns, que se confundem com um cheiro qualquer. Com o teu não. É como se ele fosse feito milimetricamente para você e você apenas tivesse doado teu corpo para ele fazer morada. Como se ele fosse uma roupa feita a não, e você apenas doasse seu corpo para ele fazer morada. O teu cheiro é dessas definições intermináveis. Dessas redundância só por ser. Das definições poéticas dos aromas do mundo. Teu cheiro é a definição e a falta dela. É.