sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Já voltei!

Meu amor fui dar uma volta!
pode ser que quando volte não estejas mais onde te deixei.
pode ser que tenhas se destraído com as possibilidades do mundo e tenhas partido, seguindo o lindo e vicioso ciclo do viver
pode ser que tenhas tentado me seguir e acabaste te perdendo
não,NÃO!
como pode pensar que te deixei, te abandonei
já te disse apenas fui dar uma volta!
olhei uma porção de coisas bonitas no caminho, escrevi algumas coisas, rasguei alguns poemas que julguei impróprios. Conversei com quem julguei digno de minha palavra. Vi desenhos em nuvens, observei o andar vagaroso de algumas formigas. Observei toda a metamorfose das borboletas.
Você sabia que elas morrem em apenas um dia?
elas tem apenas um dia para descobrir e se maravilhar com todos os mistérios do mundo,
tem apenas um dia pra amar, será que as borboletas amam ou apenas se reproduzem casualmente?
elas sabem a diferença de sexo e amor? Acho que não, essa diferença não é vista nem pelos seres que se denominam humanos , como um ser tão minúsculo saberia a diferença do gozo do amor e o gozo do sexo casual? Por que humanos, amor? Será que você saberia dizer o por quê deste nome tão politicamente superior a todos os outros moradores do universos? Pouco importa, saber o significado não traria mais glamour a nós, não seriamos mais "humanos". Ainda assim seriamos porcos que chafurdam a vida alheia e apenas se saboreiam da desgraça dos seus irmãos. Irmãos? Acho que não. Tenho apenas dois, ou um, ou nenhum.
Ainda assim seriamos seres inferiores as borboletas,HORA...temos anos pra descobrir toda a delicia da vida e ainda assim morremos infelizes! será que essas borboletas que eu observei morreram felizes? a única certeza que temos é que morreram e isso nos faz chegar a um ponto final.
Antes que me esqueça vi algumas meninas e outro pá de meninos, bonitos sim!
Conseguir ver um belo pôr-do-sol, vi todo o espetáculo do morrer de um e o nascer do outro! Neste dia a lua estava tão saudosa e ainda não sei se ela realmente riu para mim ou apenas foi a consequência daqueles produtos ilícitos que costumávamos consumir. É, ainda o consumo e as vezes tenho dúvida se eu realmente o consumo ou ele me consome. Acho que nos consumimos, nos possuímos,nos entregamos um para o outro e no outro encontramos a ausência que um outro qualquer nos faz! Ele a terra e eu você,
Admirar o nascer fica mais difícil depois de orgias entre livros, músicas e alguns copos de suco artificial, tão artificial quanto o pedido de perdão de uns ou a angústia forçada de outros.
a gente não tinha este problema, tinha? digo, de sermos artificiais, éramos artificiais? Digo, o choro que você chorou da última vez que parti me soou tão real. Não me pareceu como o último suco artificial de graviola que tomei! A princípio achei que tratava-se de limão,cupuaçu ou qualquer outra merda sem álcool, mas não, seria apenas graviola! Graviola, acredita? A suculenta fruta que seu sabor não sei descrever até hoje, assim como a sua boca, assim como o seu gosto! Este último copo de suco me pareceu como a última boca que tentei beijar! isso mesmo,esta boca me pareceu apenas um suco artificial que não sabemos de que sabor trata-se até olhar o pacote que o envolve.
também consegui enxergar dentro de algumas pessoas
e onde eu antes achava que só teria sangue e vísceras, tinha coisas a brilhar,um brilho natural entende?
onde antes eu achava que era tudo imundo e podre
consegui ver cores  e amores, e amores que não pude corresponder foram muitos.
Assumo, posso ter tido algo haver com isso e ainda admito que não conseguir te esquecer, lá vem eu com as minhas metáforas idiotas e assim tentar descrever você, seus olhos, seu olhar,seu brilho...bem, podemos pular esta parte não é?
Foi, foi, fui dar uma volta pra esfriar a cabeça, tomei algumas cervejas, fumei alguns cigarros, e no tic tac perdi a noção do tempo
nem lembro mais que hora ou dia parti
se parti de verdade!repito,o uso compulsivo do meu amigo ilícito faz perder a noção de mim ou eu perder a noção dele...
só sei que parei tantas vezes apenas para amarrar os cadarços que me avisaram estar desamarrados.
Tentaram me alertar do perigo que seria tropeçar em algo que faz parte de mim
e na minha mente fica apenas o eco do seu doce nome, e a silaba final é a que mais lembro, NA NA NA NA, NA rua eu podia ver alguns pássaros voando e lembrei de você, EITA como é lindo o teu voar!lembrei das paredes e telhados que um personagem nostálgico de um escritor falecido quebrou ..quebrou para que a tal semente plantada pudesse crescer livre livre.
tentei dizer que o cadarço não seria nada demais, poderia tropeçar no meu amor!
JURO, nem sentiria a dor de uma boa topada! depois de alguns anos de amor, de gostos reconhecidos, amigos divididos e histórias a serem contadas, caricias trocadas, fadigas totalmente esclarecidas, tentativas frustradas, amores banidos, terceiras e quartas pessoas excluídas de nossa relação, depois de alguns meses de viagem puramente verdadeira ou de viagem natural, a despedida de merda! o tal ponto do ADEEEUS, FICA BEEEMM, sempre bem, sempre bem! Nunca mal viu?! pois é, pulei esta parte do bem e passei logo para o mal! o mal que o bem pode trazer, tá entendendo? eu to dizendo que NEM ligo pro que seria caí com este e por este amor maldito,
esta minha apêndice eterna
é porque com ela posso mergulhar no outro, que só servi se esse outro for você!
as viceras que conseguir ver, o cheiro de podridão, o brilho dos outros, os amores, as dores, as borboletas que morrem em um dia apenas, o não, o sim
tudo , importante dizer, TUDO! me fazia lembrar de ti
então peguei o meu bonde, e vim correndo  com esta cara lavada, e com a mesma cara lavada  te digo que não te deixei
apenas fui dar uma volta
apenas fui, mas já voltei!

Paula do vale