quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Espumas no ar

Eu entro como quem não quer nada. Ela não estava entendendo direito o que eu estava sentindo ou querendo dizer, apenas perguntou se eu queria sentar ali, naquele chão onde já me sentei em outros momentos em outro estágio de relação, não como este, um outro estágio.
Eu me sento, queria ter coragem pra falar tudo o que eu planejei, mas as palavras não seguiam um fluxo lógico na minha mente,pensei em me levantar e ir embora..como poderia fazer-lo depois de ver o sorriso que ela me riu apenas perguntando se eu gostava de vê-la se banhar,respondo que era óbvio que sim..ela rir e eu esqueço tudo o que eu tinha planejado falar, treinando no espelho, escrito em um guardanapo, em folhas de caderno, memorizado antes de dormir.
A espuma passa pelo seu corpo com tamanha suavidade que imagino ser nuvens e que ela estava a flutuar pelos céus e apenas me chamava pra segui-la,por alguns segundo me sinto assim,flutuando com ela e nós estamos brincando com as nuvens e nos amando no céu,desperto e ela ta olhando pra mim, com aquele olhar que ela e somente ela sabe me olhar, aquele olhar que eu me sinto querida e amada por ela.
A musica estava alta, Chico cantava com uma força que o som das gotas d'agua que caiam do chuveiro eram imperceptíveis, e a Rita roubou meu amor e nem herança deixou..soava tão bem para aquele momento que eu comecei a pensar na possibilidade de estar em alguma cena dessas de filmes onde vai ser dito um discurso belíssimo em algum período e o fundo musical é crucial pra tornar o momento ainda mais belo.
E foi assim ao som de Chico Buarque de Holanda que eu fiquei admirando ela friquicionar o couro cabeludo tentando limpa-lo, não sei se era pra limpar os pensamentos, pra achar soluções para o que a gente estava vivendo ou se foi o mais óbvio de todos os motivos, evitar que bactérias e pequenas partículas de sujeiras penetrassem nela, ou se misturasse, não sei ao certo, mais espuma, mais pensamentos,mais olhares,mais sorrisos, mais trejeitos e foi assim depois de cerca de trinta minutos que eu vi a mudança de cor, mudança de mim e dela de certa forma.
Depois de ter vivido tanto as mesmas coisas quase como dejavus, fica tudo muito previsível, a pré-destinação, o destino traçado e enrolado no acaso, os planos refeitos e a trilha sonora que se acabou seria um sinal que o discurso foi dito ou que o tempo tinha acabado e o sujeito que no caso seria eu, não teve coragem de sequer falar uma palavra. No meu caso não, bem na hora que eu iria começar a falar a musica acabou, não falei  por covardia ou ausência de coragem e sim por falta de musica e vinho!