No olhar parado, na pele suave, nos encontros e desencontros, no outro e em você eu me perdi e por não me achar que faço isto..foi assim que eu ia começar a escrever o meu velho e bom diário. Pensei melhor rasguei a folha inicial, a principio eu pensei em apenas fazer um risco nas palavras escritas, mas então repensei e achei melhor arrancar mesmo, achei que riscando poderia haver algum resquício de palavras que não eram pra estar ali, algum resquício de palavras não ditas e ditas e reditas e reafirmadas e afirmadas e apenas palavras sem nenhuma expressão, e palavras sem expressão não era o sentido de escrever aquilo. Então comecei o meu texto assim: Querido diário, estas sim eu risquei, não poderia arrancar mais uma folha, o meu diário já estava ficando miúdo, miado, com poucas folhas e com isso com pouquíssimas palavras e sendo assim eu risquei,risquei mesmo sem pena, sem dó, sem dor, não sei se por não gostar do Querido ou por gostar demais. Parei e comecei a pensar qual seria o verdadeiro sentido do diário, escrever e esperar que alguém jamais veja o que foi escrito ou escrever clamando pra que alguém leia e releia o que realmente foi dito, digo realmente por que este seria o sentido do diário não é?! Dizer o que realmente é pra ser dito? Acreditando que este fosse o verdadeiro sentido de escrever em um diário eu definitivamente fecho-o e apenas começo a balbuciar algumas palavras, com uma voz turva de sono, com um pouco de álcool no corpo, resto de cinza de cigarro e com um pigarro insuportável que não permitia que eu falasse mais alto. Eu não falava mais alto pelo pigarro ou pelo outro que pudera me escutar? acreditando que fosse pelo outro eu paro de falar qualquer coisa que estivesse falando e apenas começo a desenvolver pensamentos, pensamentos estes que não sei ao certo o que seriam. Seriam sobre a noite passada? Sobre o outro? Sobre mim? O pensamento começa a ficar mais turvo que minha voz de álcool e cigarro, as ideias que eram para existir simplesmente desaparecem e eu que nem sequer tinha uma pagina inteira de um diário decido que não teria nem mais uma pagina inteira de mim.