Sentou-se devagar na areia da praia, enquanto olhava o mar e as suas ondas que batiam delicadamente contra as rochas. E no fundo sonoro, amou daquela vez como se fosse a última, e eu nem lembrava a última vez, e isso me intrigava. Quando foi mesmo a derradeira vez? Não lembrava. Nem o sabor do beijo. Pensava que se não havia memórias deste tipo, então a importância não era tal importante. Realmente já não acreditava mais em encantos, cantos. Não acreditava em amor e príncipe e se javali devidamente branco. História infantil pra cultivar em cada peito desesperado daquelas jovens mulheres, a ilusão de que a perfeição chegará até você. Sem esforço. Sem insistências. O amor acontecerá assim, um cruzar de olhares e pimba, o amor aconteceu. Logo em seguida ele chamará a jovem donzela indefesa para um cinema, ela aceitará, eles irão. Lá ele tentará pegar suavemente em suas mãos, pra mostrar um certo interesse. Passará o braço ao entorno da donzela. Ela ficará nervosa mas esperará o beijo. Ele beija suavemente a sua boca e ela morrerá de amor. Fim. O mundo real é diferente disso. O amor real é diferente disso. Acredito sim que exista amor, porém, acredito que é algo que envolve desejo e carência. Sexo e carinho. Oferta e procura.
Não acredito mais em amor romântico por vários motivos e o principal é que o meu até então amor só aconteceu por insistência minha. Por um desejo só meu e eu era apenas uma amiga conselheira. Um ombro. Eu era desejo. Era o desejo de algo ser concreto. Era a vontade de ter. Almejava algo que só eu acreditava. E então eu decidi: vou chamar para o cinema. Príncipes. Cinemas. Possibilidade de beijo suave. Não. A resposta por diversas vezes. E vários conseguiram o beijo, menos eu. Até um homem, acredita? E eu que via naquilo um potencial de amor romântico, acreditava que um dia quem sabe, eu seria vista assim. De outra forma. Nasceria um pescoço, rosto, tronco, pernas, do meu então ombro. Esperei. Esperei. Sonhava. Transformei-a em uma musa. Pra mim todos os seus milhões de traços. E jeito. E canto. E cantos dela mesma. Caminhar. Tudo! Absolutamente tudo, era motivo pra escrever sobre. Querer saber sobre. Até que cheguei ao cheiro. E nela, tudo tinha cheiro. E no meu amor romântico, esperava toda tarde ela passar, com os cabelos molhados do pós banho. Eles cheiravam a flores do campo. Porque amor romântico tem desses clichês idiotas. Estúpidos clichês. Então eu me pergunto isso, se não houvesse insistência, haveria amor? E isso é amor? Como lembrar do cheiro dos cabelos molhados em uma quarta a tarde e não consigo lembrar do ultimo beijo?!Última transa?!
Ou no amor romântico a última coisa que importa é o sexo. Ou isso não foi amor. Prefiro acreditar que jamais foi amor, no máximo uma birra de menina chata.