quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Pausa para sanidade
No espelho ela não se enxergava. Não me via. Apenas via o vulto. O negro ao seu lado. Perseguindo-a. Sempre naquele mesmo horário. Sempre na mesma hora. Noite. Durante o dia a normalidade de um ser saudável. A noite, na negritude daquilo, aparecia um ser. Não o via, mas aos olhos dela, ele estava ali. Presente. Via a angústia nos seus olhos. O medo era sentido a quilômetros. Ela estava apavorada. Chorava. Não queria enxergar que realmente era o que eu sempre pensei que fosse. Ela via o imaginário de dentro. Via de forma poética e cruel, todos os seus medos. Ali colocados como um jogo. Ela disse que sentia aquilo. Me fazia acreditar na realidade daquilo. Depois de um curto tempo, ela me mostra que não era real. Tinha medo de estar surtando. Loucura. Ela que me entendia tão bem, me pedia explicações. Não é nada eu dizia. Ela sabia que era alguma coisa, mas não sabíamos o que. Um pequeno intervalo para sanidade, e logo depois a loucura que é viver.