Um dia você acorda e percebe que nada fazia muito sentido naquele tempo. Que nada faz muito sentido neste tempo. Nunca fará e temos que entender e aceitar isso do jeito que é. Não existe fórmula ou magia. É como é. Um dia você levanta da cama e percebe que tudo que você achava que era o seu sentido, tomou a direção errada e o que antes era tão importante, hoje tanto faz. Tempo. Um dia você levanta, olha pro lado, vê fotos guardadas em uma pasta esquecida no seu computador, e percebe que todo o sentido, que não fazia sentido, estava ali. Você que sempre olhou pra direção errada. Tomou caminhos errados. Percebe que aqueles compulsivos eu te amo, não era bem como você achava que era. Era algo definitivamente diferente de tudo aquilo que você acreditava. Uma espécie de areia movediça que puxa você pra uma outra realidade. Essa realidade daqui, de perto. A real.
Você percebe que aquele cuidado era tão importante que você nem consegue dizer o quanto. O como. Quando deixei de enxergar o claro? Quando deixei de perceber o real dos olhos alheio? Certo dia ele perguntou se ele era o meu amor, e eu nem entendi direito a pergunta. Disse sim. Disse claro. Ele ficou tão feliz por aquilo, que parecia que tinha ganhado na loteria. Eu bem amava mesmo, mas nem sabia. Dai um dia você acorda, abre a geladeira e percebe que o frio que vem dela, é mais quente do que o seu próprio coração. Que o congelador é como uma cidade dos trópicos de cá, quando comparado ao seu coração. Que nesse momento, só perde pra os pólos. Ele era um ser assim, cheio de mistérios. Cheio de olhares dele. Um levantar estranho de sobrancelhas. Ele, na ultima vez de diálogo disse, que saudade meu grande amor, como quem relembra aqueles dias com um tom de saudosismo. Acredito que um dia você acorda e percebe que nada esteve ali. Até estava, mas, nada estava no lugar. Que ele meio de surpresa, como sempre foi, deixou pro ultimo minuto de jogo, uma carta escondida da manga. Só pra eu me senti assim, completamente boboca, como ele sempre fez.
Ele nem disse adeus, como tem que ser. Se quiser ir, vá! Agora não falar um tchau?! Mas eu entendo, ele sempre foi um pouco disso mesmo. De foda-se todo mundo. Ele não fez por mal, só não queria ter obrigação até na hora de morrer. Até nisso, ele era mais pra frente do que eu. Ai ele vem. Salva-me. Fala que me ama. Que se importa. A gente troca olhares. Beijos. Carinhos. Amor. E tudo acaba um pouco por ai. Vira a página. Vira tudo, e nós ficamos meio assim: tontamentes presos a um sentimento que nem acabou, nem começo e nem chegou ao meio. Algo indefinido por versos e canções. Por músicas trocadas de forma estranha. Meio que com flerte. Meio que com vou tirar você dessa merda de sentimento. Ela nem te merece, ele dizia. E eu dizia, nem ela você. Fiz muita besteira, ele dizia. Eu dizia: eu também. Estamos quites, ele brincava. A gente se perdoa, e começa a ter essas tretas ai. A gente já dorme quase na mesma cama. É. Pode ser, sempre estive reticente. Pode ser? Já é. É, tem dias que você acorda e vê que nada fazia muito sentido. E que aquelas linhas que vocë escreveu bem distante disso tudo, jamais serão lidas por ele. É. Tem dias que você percebe que nada faz mais sentido como fazia antes.