quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Como aquelas moças tímidas, chegou ela. Com um andar vagaroso e um sorriso de vergonha. Um ar de saudade e uma vontade de invadir a profundeza das aventuras de outros corpos. Com medo de se enfiar em um buraco qualquer e, ainda assim, um anseio de embrenhar-se naquele corpo que ali estava. Meu corpo. Ela desvendava-o em uma aventura sem fim. Sentia-me com as pontas dos dedos. Da língua. Sentia cheiro, corria e percorria cada pedaço meu. E a cada toque um calafrio. Cada beijo um desejo infinito de morar ali. No espaço tempo que cabia a nós. Cada suspiro que eu dava, ela sentia algo que não sabia definir. Um arrepio na alma, talvez. A cada arrepio em mim, sentia a necessidade de perdurar aquele momento. Como aquelas meninas tímidas, mas que sabem o que quer, ela chegou e plantou em mim a árvore desejo. Desde então, frutifico um monte de não sei o que, mas, que enfeita alma.