domingo, 18 de setembro de 2016
A luz do céu era desligada lentamente e nós nos encontrávamos ali. Despidas e unidas por algo que transcendia todas as dimensões de existir. Nuas e embaladas por uma lua que antes cheia. Energia dos céus. No plural mesmo. Dos universos. Embaladas pelas fases de uma lua paixão. Ela olhava-me com um tesão de sentir em mim uma possível paz procurada. Achada. Achei também. Eu olhava-a com um tesão de ver o que sempre quis. Sentia-a como quem sente um desejo profundo por uma mulher sempre cobiçada e jamais tida. Endeusava-a como essas musas de romances bem mal escritos. Como uma mulher que deseja outra com um desejo tão profundo que divide-se em mil partículas de querer ainda mais. E dessas mil partículas, mais mil e assim em um calculo sem fim. A luz ia sendo desligada vagarosamente e nós estávamos ali. Abraçadas no abraço que achávamos e sabíamos ser da mais pura proteção. Segurança. Sentia-me segura naquele espaço tempo. E ela, sentia-se amada. Nenhuma palavra tinha sido dita. Mas essas coisas de olhares que permeiam alma, falam mais que qualquer palavra dita por uma boca que deseja revelar palavras de paixão profunda. Não que palavras não valham serem ditas. Mas olhares..olhares quando sinceros, permeiam almas e vidas com suas mais intensas verdades. Verdadeiro e certeiro olhar, salva ou mata uma vida. Ela me olhava assim. Com esse olhar de pura verdade. Ela me agradecia, também com o olhar. Agradecia-me por algo que não sabia bem o que. Mas, a verdade é que eu que deveria agradece-la por vidas e mais vidas. Anos e mais anos de agradecimentos de mim para ela. Ela ainda não sabia, mas tinha resgatado em mim, um querer tão intenso que nem os mais conhecidos poetas seriam capazes de descrever com palavras soltas. Resgatou em mim, um desejo de querer encontrar e dar para outro, o que melhor existe em mim. E o faço. Dia após dia dou para ela o meu melhor, Sem que ela perceba. Sem que ela sinta que existe em mim uma doação de amor que marcará anos e mais anos de minha curta vida. E da dela ainda mais curta. Penso em futuros longos, mas imagino o almoço feliz em uma terça qualquer. Sofro de um possível fim que nem sequer é possível enxergar, porque não existe. Ela em sua curta idade mostrou-me o significado de cautela. E eu com a minha curta experiência, mostrei-a a impulsividade de uma paixão que pode dar certo. Que dá. Deixo subentendido que ela é no momento, o motivo de um bom dia bem escrito. De um andar em linha reta meio que torta. De acertos sem margem pra erros. Ela é no momento, o querer paixão que se instalou em mim e faz morada. Que cria raízes e asas. Que fica, mas que se ela quiser, pode voar. Desligavam o dia. Caia a noite. E com o cair, seus olhos tornavam-se mais visíveis. Era possível enxergá-la no cair da noite, no desligar do dia. E eu queria enxergá-la ainda mais. E via.