segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Acordei

Acordei em um súbito. Assustada, ofegante, perdida, com medo. Tive um pesadelo, e você tava nele. É, sonhei com você mais uma vez, mas desta vez não foi bom. Essas coisas de desastres, e eu não sei como lhe dar com desastres. Eu tenho medo de desastres, na verdade. Mas vem aquela vontade de ligar pra você, só pra me certificar que você de fato estava bem, que apenas foi um pesadelo mesmo. No mesmo instante me vem a sensação de tranquilidade e que de fato você tá bem, foi só um pesadelo. Volto a dormir e a mesma sensação de desastre vem, como quem sente que o outro não está bem. Que o desastre pode ser na verdade, só o desastre de se ver um pouco achado, um pouco perdido, um pouco sofrido, um pouco amado. Confusão. Levanto, bebo uma água, lavo o rosto e pego o telefone, mas, por ser tão inconveniente tantas vezes, sinto que ser mais uma vez pode ser a gota d'água. Desisto. Acendo um cigarro e rezo do meu jeito estranho pra que tudo fique bem. Meio como quem conversa com deus, em uma conversa informal, nada de pompas e superioridade, porque deus deve ser isso mesmo. Atender amigos, nas mais diversas horas, sem pompas ou hierarquias. Deus deve ser isso, atender a qualquer hora, mesmo com inconvenientes. Entrego pra ele e deito. Deito como quem deita mais uma vez em seu peito, beija sua bochecha, morde sua orelha e diz com suavidade: eu te amo, meu girassol. Dai então tudo fica quase bem. Só tive um pesadelo, mas, não te liguei. Pra tentar acalmar o seu coração, penso em fazer um café da manhã, pra você. Desses que você faz pro outro sorrir, sabe? Ai compraria flores e diria: são pra você, meu bem. Daí você iria sorrir e dizer: - obrigada, meu bem. Sentaríamos e eu diria que tudo vai ficar bem. Mas não é assim que é. Só tive um pesadelo, mas, não te liguei.

Paula do Vale