Veio-me uma vontade de você. Daquelas vontades súbitas e quando a gente via, eu estava em você e você em mim, sem nenhuma explicação. Aquelas vontades que nos dava depois da praia ou do bar ou vontade por vontade. Parei de beber, parei de beber porque quanto mais bebia, mais queria você, então parei mesmo. Pelo menos até quando o meu corpo aguentar. Até o meu corpo aguentar a distância do teu corpo. Porque se conto assim, por carta, pareceria mais um conto desses eróticos. A verdade é que me veio uma vontade de você e eu me segurei. Segurei pra não chorar, porque a distância é difícil e é mais fácil sentir vontade perto, do que sentir vontade longe. Ai me veio o seu rosto e seus gestos. Brilho e gosto. Suor. Gostava disso, suor. Suor seu, suor meu e suor nosso. Porque nesse momento, nunca se sabia de quem era o que. Neste momento nunca se sabia o que era de quem, só se sabia que a vontade era nossa. E eu sinto falta da vontade nossa. Dos gestos teus e do gosto nosso. O meu que misturava com o teu, o nosso que era nosso, que é nosso. Só te escrevo pra isso, pra dizer que a falta que você faz não cabe nesta folha de papel. Só escrevo pra dizer que por mais que eu tente dizer o quanto isso é importante pra mim, você jamais seria capaz de entender verdadeiramente, é que tem tanta coisa que ficou entalada por tanto tempo e que hoje não tem mais valor. Só escrevo pra isso, pra dizer que me veio uma vontade de você. Veio e criou morada aqui. Criou morada aqui dentro de mim. Se por acaso essa vontade for embora eu sei que ela volta, e quando ela voltar, por favor, volte com ela. Porque a falta que você faz não tem caneta e papel que possa descrever. É que do nada me veio uma vontade de você.
Paula do Vale