terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ela percebeu que existia uma pequena partícula pairando no ar. Ela o via contra a luz. Fechava os olhos afim de enxergar um pouco melhor. Irônico não é?! A gente fecha um pouco os olhos para enxergar um pouco melhor. Ela fechava e via essa pequena partícula. Partícula amiga. Ela pensava na vida, nos outros e em si. Ela fazia tudo isso, apenas reparando a dança do pequeno grão com o ar, e seus olhos meio fechados, um pouco abertos. Ela reparava ainda mais nos olhos dos outros, e ela via em um olho cor de mel, uma pequena dimensão. Uma dimensão que não era possível medir. Você era jogada nela, ela dizia. Apenas sou arremessada como que por alguém que te expulsa bêbado de um bar. Era arremessada todas as vezes que encontrava aquele olhar. E ela gostava de ser jogada corra parede, contra as paredes de si, e diretamente nesta dimensão oculta de uma mulher secreta e misteriosa. Ela via neste olhar, talvez o mesmo olhar que ela sempre escutou ter. Talvez se visse no olhar de mel, ou na dimensão. Só pensava. Refletia sobre. E fazia tudo isso, apenas por conseguir enxergar em pequenas partículas de poeira, uma dança de vida. Só fazia é pensava nisso tudo, porque o universo é feito de pequenas partes. De pequenos fetos. Só pensava nisso, porque é incrível se enxergar em outro olhar diferente do seu.