Eu que tinha uma estatura mediana, cabelo escuros, olhos claros e mente aberta, vi em outro sujeito com uma mente totalmente fechada, uma coisa que definem: amor. Não sei ao certo o dia, hora, ou lembro local exato disto acontecer. A verdade que é difícil definir um dia ou local exato. É um processo, alguns dizem. A questão que processo ou não, este outro invadiu a porta. Arrombou sem pena ou medo. Adentrou profundamente e me tirou pra dançar um rock americano pesado. Nada de valsa ou bolero, o seu negócio era o tal do rock, e fazia movimentos com a cabeça e seu corpo acompanhava. O meu também. Acompanhava em tudo. Em tudo. Tirou-me pra dançar e depois queria altar. E da dança sobrou os pés cansados, e da vida uma colcha de retalhos.. Ele decidiu por mim. Anel, roupa, moradia, mobília. Ele disse: para você não assustar, eu chego depois. Primeiro se acostuma com a ideia. Queira de verdade. Anseia de verdade. Sente a minha falta perto. Dai então, chegarei trazendo o restante da casa: eu.
Aceitei a proposta louca, não por medo de não ser isso. Porque não é todo mundo que dança tão desengonçado assim. Eu gostava disso. Aceitei porque é bom sentir saudade. Saudade mansa, de falta pouco pra te encontrar. Aprendi a gostar destas saudades que apertam e esquentam o coração, sabe moço? Não era problema pra mim ficar longe dele por esse tempo bobo e curto. Aceitei porque via nessa coisa que definem amor, uma paz que não conseguem definir. Eu sei, deve ser chato ficar uma jovem mulher, falar de seu marido assim. Não tem problema? de verdade? Que bom moço, o senhor também é desses bobos românticos. Se eu gosto de bobos românticos? estou prestes a casar com um.Gosto sim. Enfim, aceitei porque achava que era importante sentir dentro de mim, essa sensação de estar perto, mesmo estando longe. De falar em silêncio. De discutir amor, olhando um céu estrelado. Vê na lua, uma ponte de pensamentos positivos e apenas nosso. Era assim que a gente ia começar a construir nosso mundo e eu entendi isso.