E como um sopro da natureza, você apareceu. O universo te soprou pra mim, e eu ali, disse que me sentia estranha. Você sabia que de todas as coisas do mundo, a minha loucura seria a mais normal pra tua loucura. Eu chorei. Chorei suavemente e me recostei em teu ombro e depois pernas. Maciez de tuas negras pernas acomodava o meu rosto. Sentia o meu peito e suas variantes e variadas ramificações, escalarem meu cérebro. Falava em cortar aquilo de uma vez, mas já tinha florescido, você dizia.
Você sentia sua alma dividida, teu querer dividido e eu ali, estonteantemente plantada no pé de um gostar sem nexo. De um querer burro. É como um sopro reverso, me levou ao avesso. Avesso de algo indefinido. Pra mim. Pra ti. Éramos um mix de voz suave e grito perdido em uma madrugada silenciosa. Já éramos mais que uma pouca relação. Cinco longos meses se passaram, e nos ali, sem saber o que éramos na verdade. Sonhávamos com o que? Queríamos o que? Desejávamos a nós mesmos ou só a uma sombra remota do que poderia ser uma dupla fuga? Você e teus fantasmas. Eu é meu até então um único amor. Éramos o que?
Em uma palavra seca, disse não. Mas no fundo de mim, um relapso sim, com gostos doces, gostaria de sair. Não? Sim? Talvez não esteja preparada pra outro talvez. Pra uma outra divisão e ruptura. Talvez, eu tenha muito mais certezas que você. Que ela. Amo outra, você sabe. Amamos. Mas onde isso nos levará? Um gostar eterno e seco para nós? Um desejo seco da reciprocidade? Uma vontade latente de apagar passados? Refazer rotas? Destinos? E quem sabe não somos os destino de nós dois? Filhos, casa, vidas.. Quem sabe isso não seja apenas o destino dizendo: siga! Vai em frente, menina. Você vai ser feliz eternamente desta vez. Quem sabe não é o tal do destino falando: não olha mais pra trás. Você não enxerga essa dor que dói em teu peito? Que lateja? Sinto! Vejo! E você, não vê a tua história se repetir e você ali, olhando para o nada, deixando ela se repetir. Passar por entre tuas mãos. Por entre seus desejos.
Talvez, o destino esteja dizendo: vai menina, é dessa vez. Acredita em mim, também tenho tanto medo, mas não quero viver eternamente assim.. Seca.