O doce gosto do gozo. Sim, reviver de várias formas... Em uma outra Páscoa.. Feriado.. Tudo era tão saudade. Tão vazio e desvio. Lembro daquela voz dizendo que existia alguém atrás de mim. Como isso fosse relevante. Estávamos tão longe. Tão distantes. A relevância de alguém ali, era mínima. Desvio. Esguio. A verdade é que existe saudade de um ciclo anual vivido e remendado. Saudade, né? Mas acredito que quando esse ano acabar, levará também a existência de um ciclo antigo. Modos amigos e antigos. Já tenho um cão, talvez seja pra mostrar a vida de várias formas. Renascer, dizem. Essa época é isso. Renascimento. É. Eu tou, acho que sim. E você? Vive confortavelmente aí? Do outro lado da tela lendo letras mortas? Que quando saem de mim, já não me pertencem mais. Pertencem ao tempo. Ao vento que as levam. Será?
Você lê por prazer ou por medo? Por se identificar com mazelas ou pra não fazê-las? Não façam! Aprendemos com a dor, mas, doer não é saudável. Entenda, moço, a dor é amadurecimento, mas crescer é uma merda. Você sabe. Falam em crescer, tudo furada. Quem quer? Escolheria ser uma eterna menina de 5 anos. Que acha que entende da vida, por resolver um problema bobo no colégio. Por pintar dentro das linhas. Porque no fundo tudo diz respeito a pintar ou não dentro das linhas. Já pintei fora. Estraguei um dos meus melhores desenhos. Querer, eu não queria. Mas as impulsividades da cores e possibilidades de combinações, me deixou cega. Cega, entende!? E ai? Me tatuei. Fui tentando marcar meu corpo de menina boba. E uma por uma, foi me marcando pra vida. Pelo menos acho. Tenho algumas, e quero outra. Uma dessas grandes. Pra olhar e sentir um arrepio. De ter orgulho de dizer o Significado. Tem um próprio olhar marcante. Em um coração flutuante. Entende? Uma flor dentro de um coração. Uma flor no olhar, em um coração. Humanamente impossível. Artisticamente exótico. Pessoalmente, forte. Saudade. O nome vai ser esse. Saudade. É dai que a ente volta pra festa. Celebração. E mais do mesmo. A gente volta pra um copo um pouco vazio, metade cheio. Com medo do que vem depois disso aqui. Dessa mistura de sentimento vem o que? Vazio, como a outra metade do copo? Ou simplesmente a outra mais da metade da vida? Depois dessa mistura de ideias e sentimentos? Do lamento? Depois da vida quase completa, um pouco vazia, vem o que?
E depois de ter coragem de apagar com as últimas poucas lembranças, acontece o que? Fico assim como ela, moço? Assim, feliz de verdade. Completamente feliz. Mesmo que o senhor fale que ninguém é sempre feliz, eu digo que a minha metade vazia, ta pra lá de mais que a metade. O copo ta secando. A cerveja acabando. O cigarro acabou. Não fumo mais maconha. Não sei. O tempo acabou. Nosso tempo cavou um lindo trágico fim. Desses de cinema, ta? Uma coisa tóxica. Uma coisa surreal. Um filme de suspense. Um sonho de verão frustrado. Um olhar longe e perto. Um disfarce. Uma quase vã paixão. O copo, moço, coloca mais cerveja. Veja, você acredita em redenção? Subir aos céus e encontrar com deus? Acredita em deus que mata o filho ou algo assim? Nao sou tão religioso e não gosto de ficção. Acredita em recomeço? Em crises de pouca idade que nem hega a ser meia? Acredita em um novo sim? Olhe, você entende que eu tenho outros gozos e tento entender outros jeitos? De outra mulher sim. Mas você sabe, que a gente sempre espera o recomeçar com o novo de nós. A gente prefere esperar o novo de nós e do outro. Porque se prender a carência, sempre dá em merda. Dura quanto? Um ano? 2? Uma vida? UMA VIDA?! Não, cara! Uma vida só se for com mentiras. Nada que começa com carência, deve durar uma vida. Isso é uma blasfêmia ao amor verdadeiro! Um insulto!
Garçom, deixa essa aqui pro meu camarada. Tenho que ir, moço. Não lembro o teu nome, mas deixa pra outra hora. Olhe, não vou pelo insulto de dizer que isso pode durar uma vida toda. Vou pelo insulto de ter olhos tão parecidos com os que outrora já me olharam assim, de perto. Vê se deixa esse copo vazio, afinal, estamos cheios de quase vazios.