sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dia quatorze, eu disse. Levantei, peguei mais uma dose. Bebi em um gole, pedi mais outra e o fiz repetidas vezes. Vezes inúmeras. Cheguei em um estado de sair do meu corpo. Está era a intenção. Olhei para quem me acompanhava, disse: você não tem o mesmo brilho, você sabe, não é? Repeti diversas vezes, como quem alerta o outro, do erro cometido. Avisei a eros em pensamento. Avisei que ele precisava me ajudar. O amor tinha daquilo, desespero. Acendi um cigarro, fui alertada que não fumava mais. Tudo bem, acenei com a cabeça positivamente. Continuei a acender o cigarro. Fumei-o como quem fumava você. Fumei tudo. Queria te ligar, mas me controlei. Primeiro que não poderia, segundo que tenho um pouco de orgulho. Não liguei. Fingi não lembrar do dia. Bebi doses de você. E te vi entrando em mim, em forma de fumaça. Somos amor e desejo. Ódio. Paixão. Esquecimento é solidão. Somos um reflexo de uma sequência de ações, que fingimos esquecer. Mas não conseguimos largar. Somos uma dupla de numeral. Somos um e quatro. Somos apenas um quarto de pousa ações. Somos a busca do esquecimento. Somos fé. Ou melhor, sou fé.