O telefone tocou. O coração desparou mais uma vez, mas não era você. Atendi com uma voz trêmula de sono, medo e saudade. O outro lado da linha falava de saudade, eu retribui, mas não sentia tanto assim. Dei uma desculpa qualquer e falei que precisava desligar. Desliguei, olhei para o teto e pensei que se fosse você, seria mais estranho do que já é. Fechei os olhos e pensei que poderia ser incrível e estranho. Pensei. Fechei. Abri. Sonhei.
No meu sonho o telefone tocou, era você com uma voz tremula. Falei que sentia saudade, e era verdade. Falei que pensava em fazer outra tatuagem, essa pra ter o teu olhos só pra mim. Você riu e disse que não era possível. Eu disse que era, que iria fazer. Iria ter o teu olhar sempre comigo, e se por algum motivo nunca mais te encontrasse, quando sentisse saudade, só olharia pro meu braço. O teu olhar estaria lá você estaria eternamente em mim. Você sorriu mais uma vez, me chamou de louca. Falou que precisava desligar. Acatei. Disse que era pra me ligar depois. Você disse que não dava. Eu falei pra você acabar com isso tudo de uma vez, que seu lugar era ao meu lado. Você chorou. Eu pedi desculpas. Você disse que tudo bem, mas que não era fácil. Eu implorava perdão. Você chorou mais uma vez. Eu falava de ciência do erro, de que tinha errado, mas tinha te amado mais. Te amava mais que o tamanho desses erros. Você falava de escolhas. Eu aceitava e falava que meu coração já tinha escolhido você. Aí quem chorou foi eu.
Começamos a falar do passado. Eu falei qua há quase um ano eu fiz a pior escolha de minha vida é que não era justo pagar por isso a vida toda. Você falava que tudo começou com carência, na que agora não sabe onde vai chegar. Onde ta chegando. Eu te pedi em casamento. Você caiu em lágrimas. Eu chorei também. Você disse que precisava desligar e desligou. E foi assim que até no sonho, você me disse não.