Entendo. Verdade, entendo mesmo. A moça proferia para o universo. Berrava mesmo. Berrava para os quatros cantos do universo. Ela sentia que o seu interno era de fato um carnaval. E o tal rei e rainha do momo fazia morada nela. Lá eles eram felizes, sabe?! Dentro dela era festa o ano inteiro. O carnaval o ano inteiro. Ela sabia também que existia uma causa. Motivo. Razão pra o carnaval fazer morada nela. Fazia morada porque existia em um reino bem distante uma rainha. Essa tal rainha era dona e causadora do carnaval interno da tal moça.
E tudo começou com uma sexta-feira de carnaval. Começou aos poucos mesmo. Uma introdução para a verdadeira festa que se formava dentro de si. Depois veio o sábado e se formou uma multidão de uma pessoa só. Subindo é descendo ladeira dela mesma. Montanhas russas. Domingo e segunda foram a perpetuação da folia. Terça, era o gosto da despedida. A quarta era a insistência de que não podia acabar. Ainda tem festa, ela dizia. Ainda tem festa. Aí, dentro dela transformou tudo em uma eterna quarta de carnaval. Ficou presa ao tempo de folia. Ficou presa ao tempo do possível e impossível. Do confete. E sempre. Sempre que a moça carnavalesca encontra essa tal rainha da festa, dentro dela forma-se uma orquestra de frevo. Todos dançam e lançam serpentinas.
Alguns duvidam da existência de tal moça. Eu acredito. Acredito porque dentro de mim, existe algo como uma eterna quarta de cinza. Só que com cor. Muitas cores como o carnaval. É quando vejo uma outra rainha de um outro reino não tão perdido. Meu achado. Eu vejo formar em mim, um desfile de maracatus bem tocado. Com brilho. É quando vejo aquele olhar, dentro de mim chora confete. Por isso, e só por isso eu acredito que cada um possue o seu próprio carnaval. E todos possuem uma senhora que faz esse carnaval agitar. Que faz chorar confete e serpentina. Só por isso eu acredito que essa minha senhora, é minha senhora e rainha. É que dentro dela também existe um carnaval, basta saber quem é a sua tal rainha. Não, não sou eu. Talvez seja apenas ela. Também não ligo, sabe? Ela ainda assim, é o motivo de insistência da eterna festa. Sim. É que nem sempre a quarta-feira é ingrata. É que minha carne é de carnaval, e o meu coração é igual. A diferença, é que ele é feito com uma multidão de um.