segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Nunca fui muito boa com construção e reconstrução. Nunca fui boa em montar nada. Sempre fui excelente em desmontar. Em quebrar. Destruir. Alguns tem o dom da dança, outros o dom do canto. Eu costumo dizer que o meu sempre foi o dom do desmantelar. Desconfortar. As crianças de minha idade, quando tinha uns 6 anos, contruiam castelos suntuosos. Eu, quebrava- os. É quando não o fazia, permitia que as ondas sacanas fizessem.

Sempre fui da desordem. Avesso. Contrários e opostos. Inversos. E há quem diga e veja a unicidade de ser assim. Ser da esquerda por imposição minha. Do contra, como dizem. Do contra, reparem. Tem  logismo pra tudo. Até pro jeito torto de destruir o mundo. Desastres. Afinal, o que é desastre natural? É natural ou forçado? Da natureza ou do humano?

Tem gente que até o nascer é de acidente. E eu sou o acidente que o mundo vomitou. Mas não sofro, eu sorrio. Sou o acidente que o mundo não pode evitar. Graças a isso, sou eterno acidente de mim. A Macabéia dos tempos modernos. Predestinada a sua própria tragédia. A de existir. Eu sorrio, sabendo que desastres são tão naturais quanto eu. Sorria, você também pode ser o acidente que o mundo vomitou, mas não te vetou de ser o que se é. Sorria, o desastre somos nós.