Sim, o meu amor é infinito. Infinito, porque sou infinita, sendo assim, somos melodramaticamente infinitos de afeto. Afeto aprendido. Batalhado. Como um faminto com fome, observando o último pedaço de pão. Sim, somos infinitos.
Somos gigantes. E cabemos apenas em nós, ainda que transbordemos para o mundo. Somos de nós mesmo. E fim. E no fim, fins e começos, se embaraçam no simples fato de caminhar. Ponto de partida e chegada se confundem. Inicio e fim. Haveria fim no planeta Terra? O inicio é o começo? Existe recomeço para as espécies extintas? Ou um pouco antes ou um pouco depois? Fins, é por si só a felicidade de seguir. E continuar seguindo. De continuar seguindo. E quem olhar pra trás primeiro, é a mulher do padre, ou o mais fraco. Ainda que mais forte. Ainda que com a compaixão de ser deste amor infinito. Um fanático religioso as avessas. Um fanático da vida. Lunático.
Quem dá o primeiro passo a frente, deixa um pedaço que precisa ser desesperadamente esquecido para trás. Abandonado na linha tempo dos pretéritos e futuros, dos infinitos tempos verbais. Precisa mudar o presente com certa urgência, como essas executivas que deixam tudo para última hora e repetem como se fosse um mantra: é urgente. Urgência de esquecer o que foi. De deixar pra lado o que de fato importa, e prosseguir protelando até a hora que subitamente é lembrado. É urgente. Que não é. Que pode ser, no espaço tempo de Olorum. Quem dá o primeiro passo, passa na frente do outro e do outro e do outro. Uma espécie de corrida maluca, onde o prêmio, é apenas a liberdade de ser só, mas ser só feliz. Feliz, só. Só. Como um navegador solitário. Uma freira trancafiada em um convento escuro e frio. Não bastasse ela mesma. Não bastasse ela e o Deus calado. Não bastasse o tempo que não passa. Não bastasse tanto tempo que passou. Basta, Não deve ser fácil viver com um eterno poderia ter feito. Pior deve ser o voto de silêncio dos monges da Malásia. Do ser só e calado. Só, feliz e calado.
Sim, meu amor é infinito. Solitário. Quente e frio. Um camaleão de várias cores. Um festival de comida, com tantos sabores. Com sons tão diversos, que se confunde com uma orquestra moderna. E eu, sou a dicotomia que possa existir no mundo. A dualidade que existe na Terra. Não por charme, apenas por patologia. Um pouco assumida, muito negada. Negadora de pílulas que cegam a alma e não deixa ser como é. Ainda que difícil, eu sou eu, não?! Eu sou quem? Ainda que patologicamente difícil de viver, eu sou quem posso ser. Sou quem rega a vida. A minha vida, ao menos. Uma hora com tempestades, e outra com arco-íris. Difícil é ser quem não é. Viver com quem não quer. Desejar o que não pode. Ter medo do que mata. E mata. Difícil deve ser, ser traída e ainda ter medo da mudança. Deve ser aguentar calada o gosto amargo da distância. Deve ser ficar entalada, por ano e anos. Difícil, deve nascer onde já não se é quisto. Ser enxotado pra outro lado. Viver com pouco cuidado. Tempo. Tempo. Tempo. Difícil, deve ser ver quem se ama quase morrer, e outros de fato morrem. Difícil, deve ser tão jovem, e tão seca. Tão novo e tão duro. Deve ser olhar pras cores e disfarçar o cinza. Difícil é. Eu sei. Eu sou. Era ou é, tempos verbais. Mas, o mais difícil disso, é alguém conseguir arrancar um sorriso verdadeiro. Um choro de desabafo. Um suspiro de alívio. Um eu te amo não moderado. Porque nunca pensamos que o outro também tem dores. Nunca vemos que o outro também é amor. Tão infinito quanto o nosso. Tão gigante quanto o meu. Nunca vemos que o que faz desse amor ser grande, não são dois. São mil. Milhares. Milhões. São bom dias sem pretensão. um abraço em desconhecidos. Um até logo, porque vai ser breve realmente. O que faz de nós e dos nossos amores, gigantes, não são dois, uma história romântica e um jantar olhando a lua. O que faz disso infinito, é o universo que é infinito como nós. Tenho um amor infinito, porque acredito que de tudo que já passei, esse amor, é o contraponto do universo, dizendo: Vai, e se não for, ao menos é amor. E eu apenas respondo: Fui, não era pra ser, mas sou. Sou só amor. Sou só lembranças. Sou só. Só. E amor.