sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Abril em Mil de Mim

E ela disse que nasceu no mês de abril, eu agi como se não soubesse. Como se não tivesse investigado. Não sei ao certo o porque da não revelação do ato sólido de saber sobre. Talvez um pensamento longínquo me levou para outras vivências e eu preferi me conter a isso, a um instante do falso não saber. Ela falou sobre uma marca causada em seu corpo, uma tatuagem bem feita e definida e com um ar de arte. Ela falou que Abril era o mês do amor e que o seu nome tinha como significado amável. Sua mãe de forma genial e impensada, pôs em um doce anjo amável, algo delicadamente impensado, mas que a define sem mesmo definir. 


Falou de tudo. Falamos de mim, um pouco. É que pra mim, era muito mais interessante ouvir as palavras formando-se de forma que parecia um pequeno jogo de xadrez, porém, ninguém jogava. Jogávamos sem jogar. Usávamos dos olhos e bocas e palavras e formações de frases, como nossa maior estratégia. Usávamos como tabuleiro os nossos próprios corpos, e nossas ações as peças bem encaixadas, nesse nosso jogo de estratégia e sem nenhuma. Ela olhava tão suavemente pra tudo que era dito. Ouvia com um olhar tão doce todos os meus gestos. Mudava o sentido das frases, ações e sentidos. Ela mexia comigo, como esses exércitos que incitam a guerra pro povo inimigo. Mexia com todos os meus instintos e eu que nem sabia que ainda tinha algum, me vi em um beco escuro e com luz. Com ela, sabe? Via-me assim, em um campo de guerra, eu sendo peão e ela rainha de meu jogo bem jogado. Ela dando ordens e eu acatando, como um bom peão. Eu sendo eu e gostando disso. Ela sendo ela e eu gostando disso também. Eramos nós naquele instante. 

Terminada a noite, um doce e suave beijo, um olhar de ressaca como essa tal Capitú e um breve até logo, que foi delongado e ficou ecoando dentro de mim. Batendo em minha parede interna, entende? Ficava ali, do tórax ao rim, depois ia pro coração e cérebro, sentia isso. Sentia ecoando dentro de mim. Esse doce até logo, ficou ali e perpetuei dentro de mim mesmo. Dormi sentindo o cheiro de flores dos campos. Margarida,  talvez. Fiquei ali, me teletransportando pra um campo aberto e florido a cada piscar de olhos e eu que sou como esses cactos, me vi inteiramente florida. Floresci antes da época. Cresci antes da época. Vi-me mergulhada em flores de mim mesma, e isso é tão bom, que a cada piscar de mim, me revejo assim.