terça-feira, 10 de dezembro de 2013

E de forma natural, saiu de mim um certo: estou apaixonada. De verdade estava, mas, não era preciso que a outra parte soubesse assim, de forma inesperada. No fundo nem eu esperava que algo saísse de mim de forma tão precipitada. Não era preciso que isso acontecesse. Calei momentaneamente, desconversei, falei sobre coisas aleatórias e sorri internamente. Sorri de nervoso mesmo. Falei sobre um filme ruim que tinha visto, e disse que estava apaixonada por ele. Estava tão nervosa, que nem sabia como agir. Falei de um filmes sem enredo e roteiro pobre, como algo positivo. Minha mais nova paixão cinematográfica. Como?! Ela disse. Um espanto natural, já que não tenho esse gosto assim. Amo filme nacional, certo. Mas tenho uma certa seleção dos filmes que tenho como paixão. Ela ria como quem me lia. Ela entendeu que minha paixão não era um filme mal feito e sem enredo. Era ela! Ela sabia que a paixão era ela. De uma forma inesperada, saia de minha boca, essas tão temidas palavras. Emudecia, claro. Como poderia falar algo, depois de ter sido descoberta? Não poderia falar nada. Realmente sentia como se tivesse sido descoberta. Como se um lado frágil, que eu sempre fazia questão de esconder, tivesse sido descoberto. Paixão dizia. Logo esse tal sentimento? Paixão? Paixão corrói tudo por dentro até deixar você oco, eu pensava nisso. A paixão era isso? Era. Era, mas também era outras coisas que nem sei exatamente dizer o que realmente são. Só lembro da parte que ele deixa a gente louco e oco. Com um cheio vazio. Um vazio cheio. Cheio de vazio. Um vazo preenchido. Medo.


Ela ria, e me dizia, acho que esse filme é bobo, sabia? E você é boba também. Tão boba quanto o filme. E eu sorria, porque mesmo sendo descoberta, acabava te ter minha cobertura novamente. Ela entendia que eu tinha certa dificuldade de falar de sentimentos, mas, em todos os momentos, eu mostrava que de fato a queria. Sem medos e com todos. A queria nua, ali mesmo. Não pra sexo. Queria para fome! Porque descobri que a saudade é como a fome, só é saciada quando existe comida. Quando comemos o outro. Devoramos o outro. Penetramos na carne. Paixão deveria ser assim também. Sentia por ela, já um não sei o que. Que não sei o nome. Sentia por ela uma coisa sem tamanho, porque não media. Sentia por ela uma coisa dessas que corroía. Sentia por ela, paixão. É, sentia por ela paixão.