sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dramática Sofocliana

E como um raio de luz entrou. Entrou e estaticamente ficou ai me fitando. Fitando com um olhar confuso e definido. Com desejos escondidos e não. Vãs sonhos de uma noite enluarada e de madrugada dramática sofocliana antígona da vida estendida, ficou ali. Lua e sol. Dois. Dois e mais amores escondidos. Ficou ali  parada eu pensava. Ela repetia que estava estaticamente me fitando com um olhar de como quem olha pra devorar a presa. A presa era eu. Eu e ela. Fitava ela e ela me comia com esse olhar de tigresa. De leoa.

Como que em uma alvorada. Aurora boreal. Ela apareceu em um espetáculo de luz. Com um espetáculo de luz e sombra. Com esses raios que invadiram a cidade hoje. Raios e trovões que eu tenho tanto medo. Parecia que tudo isso era pra me assustar mesmo. Me coagir de mim mesma. Falei que ela era como essas sereias de asfalto. Hipnotizam. Ludibriam. Encantam e nem precisam saber nadar bem para isso. Falei que ela me guiava por entres as vielas e vilas da cidade quase perdida e um pouco achada. Falei sim. Falei porque via ali o momento de dizer: vejo em você, o que não veem em mim.

E com música, filmes e vinho, regamos a noite de forma a encaixar nossos enredos, reafirmar alguma pouca chama e dizer verdades escondidas dentro de nós mesmas. Falamos por horas alguma coisa e coisa alguma, como essas jovens namoradas que tentam encontrar na voz da outra uma certa paz. Mesmo sabendo que essa tal paz é impossível de ser encontrada assim, como se tivesse perdida e vagando em reles cordas vocais alheias a nossa. Como se a nossa paz estivesse além de nós. Como se a paz fosse de fora pra dentro. Ficamos ali, conversando sobre os vários fins do mundo e eu lembrando que no ultimo fim do mundo, eu tava fazendo amor, com você claro. Reacendendo a chama que jamais apagou dentro de mim. Que jamais apagará dentro de mim. Tenho em mim como essas chamas eternas. Falamos de começos e fins. Fins e começos. Falamos de alguns meios pro fim. Alianças pra recomeços. Medos. Amor. Amar. Paixão e paz.

A noite então acabou assim: eu com ela, ela comigo e você na paz. Na sua paz. A noite começou com luz e poses. Acabou com uma luz rala, um certo conforto interno e alguns cigarros por ela fumado. Porque eu só tive vontade de fumar com duas pessoas. Com quem achei ser meu amor, e você que de fato é meu amor grande e eterno amor. E o pior de tudo, é que você sequer percebeu que quando eu dizia: preciso de um cigarro. Eu apenas dizia: preciso de você sempre aqui e assim. Pena que as entrelinhas, não são lidas por quem de fato precisa ler.