domingo, 30 de março de 2014

As vezes a gente precisa de afeto, carinho e um pouco de atenção. Um vai ficar tudo bem, quando uso ruir. As vezes a gente confunde carência com paixão. Acomodação de uma relação, com amor. As vezes a gente confunde necessidade de presença, como um infinito querer. As vezes a gente acha que é amor e nem é. E as vezes é mesmo. Uma da manhã e eu deito, olho pro teto e penso: até quando essa lágrima vai cai por ela? As vezes a gente se força a gostar de outra pessoa, é até normal. Eu me obrigo todos os dias, tento vê signos em todos os gestos dos outros.

As vezes é difícil ter mais uma culpa no peito. Eu, que tenho esse sentimento desde os 5 anos de idade. Que vi o outro como inimigo. Eu tenho medo de ser assim sempre. Tenho medo de fugir de um outro possível amor. Eu tenho medo de nunca deixar de amar, porque no fundo, a gente só quer uma fórmula pra arrancar isso do peito. Tirar as raízes e cortar o tronco dessa árvore louca que é o amar.

Tenho medo, claro. Vocês olham esse espaço como identificação onde sentimentos. Isso pra mim é um refúgio. É o chorar com palavras. É onde eu posso falar de amor, de sofrer, de mim, e não vou ser julgada, ao contrário, alguns me felicitam e contam de si. Eu tenho isso como um lugar pra fugir. Pra estancar a dor. Pra não jorrar sangue. Pra não morrer. As vezes a gente julga o outro e nem sabe das dores e vivências. Vocês, não sabem das minhas dores verdadeiras que vem e vão. Dor de amor, não é nada. Dor de vida, é muito pior.

Alguns de vocês tem com quem falar coisas bobas e sérias. Alguns tem amigos que tão sempre ali. Eu tenho também, mas o problema está em mim, não neles. Quando você é nova, não sabe o que é o mundo, você aprende com o tempo. Eu aprendi o que era o mundo e o outro, com 5 anos. Vi a crueldade de perto quando nem sabia quem eu era. Como saber quem si é agora? Eu aprendi que o outro é ruim, e se você não alerta o que acontece, mesmo já tendo alertado, a culpa é sua. Com 5 anos, você é culpado pelo inesgotável sentimento podre do outro. Eu, aprendi cedo, que confiança é algo perigoso. Que acreditar faz você sofrer. Que quem cuida bate. Quem ama cega. Quem deveria fazer afago, violenta. Como vou julgar o outro, sendo que eu sei que em mim existe dores que não param e coisas que eu calo e não falo? Os outros devem ter também, não é?!

Eu, venho pedir que não julgue ninguém. Essa coisa de cada um saber a dor e a delicia de ser o que é, é verdade. Se não quiser entender o outro, tudo bem, não entenda. Mas não julgue nenhuma conduta. Não julgue nenhuma ação. Porque eu entendi que quando você tem um sentimento tão forte como a culpa dentro de si,  é mais que legítimo querer uma bala na cabeça e a alma bem longe do corpo. Eu tinha 5 anos e desejei morrer muitas vezes. Nem sabia quem era, mas não valeria mais saber. Por favor, antes de julgar alguém, lembre que cada um carrega em si, uma dor que só cabe nela. Eu carrego em mim, uma dor que não cabe mais em mim. Carrego em mim, uma culpa que não me pertence. Carrego em mim, um amor que eu matei. É tanto peso, que se eu quisesse uma bala na cabeça e minh'alma longe daqui, quem diria que é ilegítimo? Deixa as pessoas viverem em morrerem, porque cada um sente a dor de ser o que é.