sábado, 22 de março de 2014

O homem e as borboletas

Era uma vez,um homem que tinha um sonho. Ele sonhava com o assassinato de suas borboletas do estômago. É, ele tinha borboletas que não paravam de voar. O perseguiam sem perseguir. Tudo começou em uma tarde qualquer. Ele Tava ali, de bombeira e de repente viu surgir em aí um casulo.  Casulo desses estranhos. Gosmas e líquidos não convencionais. Tudo bem, ele disse. Aceitou que dali poderi vir algo bom. Esperou. Esperou e esperou. Até que nasceu a primeira. Nasceu a primeira borboleta, e ele nem ligou. Não ligou porque sabia que ela só vive 24 horas mesmo. A segunda nasceu dois dias depois. Essa já era mais forte. Tinha vigor. A primeira já estava sem forças, mas ao chegar a segunda borboleta, incrivelmente ela tomou novas formas e cores. Renasceu. E foi assim que o homem fez uma criação de borboleta dentro de si. A cada dois dias, uma nova borboleta surgia, dando nova vida e cores para as demais..

O problema foi quando isso saiu de controle. As borboletas já não paravam em um só lugar. Elas voavam em todos os espaços dele. Em todas as brechas existia alguma repousando para um novo voo.. Tudo bem ele pensava. Ele tinha esperança que um dia, todas  morressem de uma só vez. Nada acontecia. Nada as faziam parar. Elas se multiplicavam e nenhum morria. Ao surgir de uma nova, era sempre a mesma coisa: mais vida e cor. Até que o homem teve uma ideia: parar de comer, para matar as borboletas. E começou sua jornada. Já não comia durante 3 dias, e nada acontecia. Resolveu não mais beber. Nada aconteceu novamente. Resolveu usar intorpecentes. Nada adiantou. Resolveu aliar esse fumo, com álcool. Nada adiantou. Ele fumou. Cheirou. Bebeu. Nada adiantava.


No começo era bom, ele pensava. Me dava uma paz. Uma agitação. Uma sensação indefinida. Mas eu não quero mais. E ele chorava por não saber exatamente o qe fazer pra tirar dele, esses bichos inconveniente. Sentia que se continuasse com aquilo dentro de si, iria ser o seu fim. Então decidiu: sem ar elas não vivem. Foi ao quarto, pegou um lençol, amarrou em volta do pescoço. Amarrou no piso superior e disse: adeus borboletas, vocês não irão viver. Ele se jogou de uma altura mínima de dois palmos, mas que era suficiente para matar todas as borboletas. A visão ficou turva e finalmente a primeira borboleta a nascer, também é a que morre. Ele comemora silenciosamente a sua vitória. A segunda morre também. Lhe falta o ar. Um leve tremor na parte superior do corpo e um grito distante: não! Não faz isso!! Era alguém, defensor dos animais e fã de borboleta, especificamente. Desfez o nó. Devolveu ar pro homem. A visão continuava turva. A consciência começa a ser devolvida. As borboletas que choravam a morte da matriarca, voltam a voar. E ele percebe que a primeira borboleta não morreu de asfixia, foi apenas velhice.

Desde então, ele vê morrer uma por uma e comemora a sua liberdade de vida em vida. Esse foi então, o primeiro homem que quase se matou por amor, e nem sabia disso. E pra quem gosta de borboletas, acredite, elas podem ser, bem cruéis.