sexta-feira, 21 de março de 2014


Era dia. Antes noite, agora dia. Lembrava do incrível brilho da lua. Na noite anterior de fato ela estava acarinhando meu coração. Como se dissesse: calma, isso vai passar. Agora, não sei se eu quero que passe a dor, ou apenas o amor. No fim, teremos mais do mesmo, eu sei. Dói. De verdade, dói muito. O não ter perto. O não ser permitido o eu te amo inesperado. Vez ou outra ainda falo um:: amo você. As vezes a vontade de falar, dribla a minha louca racionalidade e sai tudo pela boca. Quase como um grito. Vem lá do fundo, passa derrubando tudo dentro de mim, desastrada como sou, e sai pela boca em forma de: amo você.


Era lua. Quase cheia, quase não. E lembrava das esse que dizia pra você reparar o céu. Quando falava das estrelas. Quando Tava longe, tinha uma boa estratégia pra ficar perto. Abria a janela, via o céu e imaginava que estava ali. Repousando sobre seus ombros calejados. Uma boa estratégia, até não ser mais. Quando a distância em si, grita mais alto, as coisas mudam. O barco perde o rumo é a gente fica a mercê de nós mesmos. Rezamos para que a nossa fiel sanidade não nos deixe desamparados. Porque o amor é para além de estratégias de presença na distância.

Te avisei moça, você tinha o tesouro. Te falei. Cuida. Protege. Beija. Faz coisas inesperadas, ela gosta ou gostava. Eu te pedi, moça. Cuida como se fosse a tua melhor e maior descoberta, porque no futuro você vai descobri que é, e quando não tiver mais, também vai querer morrer. Moça, esse amor, é ou era, para além daqui, sabe? Você não deve entender isso agora, mas, se um dia não mais tiver, você vai desejar voltar no tempo. Seu maior objetivo, vai ser desvendar uma dessas máquinas do tempo. É. Virará cientista e louca. Suas loucuras ficarão mais presentes. Você tentará a morte. Ou não. Eu sim.

Moça, entendo que o mundo seja tentador, e que os outros corpos possam te seduzir para possui-los, mas entenda que você já possui o que nenhum corpo, em nenhum universo, em qualquer idade possui. Quando eu falo que ela era a minha melhor parte, não estava mentindo, moça. Ter a ela, é como possuir o maior tesouro perdido. A ter, é como querer mais nada. Moça, não sei você, mas eu aproveitei muito de tudo. Levei pra jantar algumas vezes, mas eu fazia coisas comuns, todos os dias. Pra muitos besteira, pra mim, o paraíso em terra. Sabia de todas as fases do sono, dona. Sabia quando ela estava prestes a sangrar por 4 dias. Sabia quando ela queria só ficar ali, fingido ver algo. Quando ela queria fazer algo diferente. Aproveitei, como se fosse uma despedida pra nunca mais.

O tempo passa, eu sei. O tempo cura. Mas você, jamais terá de fato essa ferida sarada. Jamais. Eu te avisei moça, perder essa menina, é como morrer. Só que ainda haverá ar em teus pulmões. Movimento em teu corpo. Saudade em teu peito. Vontade em tua boca. Sorrisos bobos quando lembrar de algo engraçado que só ela faz, tipo imitar aqueles cachorros com seus dentes pra frente. Ainda sentirá o seu cheiro pela manhã, como hoje eu senti. Implorara pra que ela te acorde como antes, só pra você falar: não me acorda. Mas no fundo você quer que ela acorde sempre. Tudo estará aí, dentro de você. E talvez isso tudo, muito pior que morrer. Moça, se tiver chance, não a deixa ir. E se ela falar: vai. Você fica. E se ela falar: fica. Você tem a mulher mais incrível, falando o que eu sempre quis ouvir. Se isso acontecer, você uma moça de sorte.