sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Acordo com o teu cheiro impregnado em todos os cômodos da casa. Da sala ao banheiro, só tinha você, seu cheiro e uma suave voz que me dizia que você não estava ali, que era apenas um sonho. Sonhei mais uma vez com você, eu me repetia como esses mantras que você usa pra meditar. O meu centro naquele momento era você, seu cheiro e provável esquecimento.

Dia um, dia de um novo início. De um novo ciclo. Aberturas e fechamentos. Quereres e esquecimentos. Data. A data datada é como esses rituais xamãs onde você precisa seguir uma sequência perfeita do ritual para conseguir chegar ao fim e ao começo, lado a lado. Corpo a corpo. É preciso isso mesmo, é preciso que exista essas datas, aberturas, fechamentos, mudanças. E mais uma vez passarei pelo catorze dia do mês e me sentirei como desta vez? É uma verdadeira incógnita.


Aberturas, fechamentos, sonhos, sentidos, sentimentos, amor. Uma sequência quase que perfeita de uma realidade assistida por mim. Por nós. Eu assisto de camarote e você quando pode. Eu vejo o dia a dia progredindo e regredindo ritmadamente. E periodicamente algo me diz que é preciso de ação. É preciso de muita e pouca ação. É preciso esquecer pra ainda assim lembrar. É preciso cantar o refrão da música pra esquecer da dor, pra lembrar da brisa na cara. É preciso ir ao mar pra esquecer o que faz, o que fez, o que fiz. É preciso de mais amor.


E ai, levanto do meu espaço confortável e lavo mais uma vez o rosto, afim de limpar todas as lembranças existentes dentro de mim. De minha mente. Afim de lavar você. Tirar você de dentro de mim. Mais uma vez percebo que é impossível e mais uma vez me rendo e te mando um bom dia, assim a distância, como fazia antes, só que hoje com a ciência que será assim a vida inteira. E mesmo que eu não queira, você tá ligada em mim. Como o feto tem uma ligação com a mãe. Como a religião a um deus. Temos ligação. Ligações. e eu fico aqui assim, sem saber exatamente o que fazer o que sentir. Lutar ou não. Dizer sim pra mim ou não. Cortar laços ou roubar abraços. Falar ou calar. Por enquanto eu sigo assim sem saber exatamente o que fazer, mas, vejo em você metade das respostas que sempre busquei na vida e ainda assim, não tenho resposta alguma. Quando tudo isso vem assim, como um maremoto eu só penso em como foi bom. Como é eterno. Como é bom ter você por perto. Como é bom sentir você a distância. Como é bom ter mesmo não tendo você. Quando tudo vem assim, eu só penso na música dedicada e tocada. Na praia e mar. E no balanço das ondas que pra mim realmente foi o oficial começo de tudo. Procuro lembrar e cuidar você dentro de mim. Recomeçar.