- E se ela falar: vem?
- Eu vou.
- Assim simples?
- Por que complicaria?
- Orgulho?
-Por que teria?
- Eu tenho muito.
- E é feliz?
- Na maioria das vezes.
- E nas vezes que não é, vale a pena?
-Não
- Por que iria querer ter momentos não felizes provocados mais uma vez por mim?
- As pessoas são orgulhosas.
- Mas a maioria não são felizes.
- Você é?
- Já fui orgulhosa.
- Hã?
- A consequência de meu orgulho é minha meia felicidade.
- Meia?
- Metade de uma felicidade inteira. Deixa pra lá. Por que você tá falando disso assim?
- Não sei, sonhei com você e você me falava coisas estranhas. Tipo despedida e desculpas.
- E onde entra ela?
- Você falava que aconteceu o que você tanto esperava. O que eu sabia que você esperava.
- kkkkkkkkkkk
- O que foi?
- Você tá assim, estranho por causa de um sonho? Você deve tá pensando demais nisso.
- Pode ser. Mas se acontecer? Você me deixaria?
- Sim.
- E você fala assim como se não fosse importante pra você? Então por que você ainda tá comigo?
- Não sei. Você espera sinceridade ou mentira? Esperava que eu dissesse não. Mesmo sabendo que a minha resposta seria óbvia. Se eu falasse não você ficaria feliz, mesmo sabendo que era mentira.
- Não sabe? A gente gosta de meias verdades.
- Não entenda mal, mas você sabe que eu sempre fui verdadeira e sempre falei desta situação. Pra mim meias verdades é uma mentira inteira. Não entenda mal, eu já fui diferente do que sou hoje e eu sofri todas as consequências.
- Sei.
- Isso não vai acontecer, certo?! Não vai acontecer. Não existe essa possibilidade dela me ligar e dizer : vem. É muito mais complicado que possamos entender.
- Você só tá comigo por isso?
- Se você acha isso, deveria ter ido embora.
- Então tchau.
- Volta aqui.
- Eu penso assim.
- Não deveria pensar.
- Desculpa, vou embora.
- Então vai.
- Eu vou.
- Vá.
Uma pequena pausa se formou. Eu olhei Pra ele assim, como se fosse algo muito distante e relembrei de um passado não tão distante. Eu pensei que pudesse estar revivendo um momento de minha vida. Como essas premonições.
- Não quero que você vá, quero que você fique. Desculpa falar assim tão seca, sem jeito. No fundo eu sou assim, já fui mais, hoje menos e luto todos os dias pra ser essa pessoa que você diz ser a mais carinhosa do mundo. Não quero que você vá, fique!
- E se ela aparecesse aqui, você deixaria eu ir?
- Ela não aparecerá. Ela não tem meu endereço. Ela não quer o caminho daqui. Eu quero você agora, certo? Estou com você agora. Porque pensar nessas coisas tão longas de futuro?! Vamos viver agora, assim como a gente tava. Eu não ligo para as suas coisas e você deixa ela quieta. Devidamente quieta. Você sabe que pra mim ela é sagrada, por quê ficar perguntando essas coisas? Pra se machucar? Não fala disso, deixa quieto. Deixa quieta. Hoje estou com você, amanhã posso estar distante com ela, sem ela, no mar, na montanha.. Deixa ela quieta, vamos viver o hoje. Agora. Não falamos mais dela e você não me fala mais de ninguém, certo? Deixa o que é sagrado, em seu lugar sagrado.
- Estou indo embora, tchau.
- Então vai.
E foi assim que eu não soube o que falar. Sentir. Só tinha a certeza que tudo estava muito confuso dentro de mim. Mas recomeço exige uma certa e leve confusão.