Olha,
eu estou aqui pensando em muitas coisas, mas, ai me vem umas ideias muito distintas e loucas. Eu sou muito estranho, mas ainda sendo louco, eu sou são. Escrevo porque esses dias eu estou sentindo uma puta vontade de chorar, uma vontade grande de chorar. Eu não sei o por que, mas as vezes eu acho que é porque está mais perto de voltar, e a incerteza querendo ou não, nos aflige, me aflige. A incerteza incomoda, desconforta. Acho que estando ai tudo vai ser mais fácil. Tanto com o sim ou com o não, menos com um talvez, porque talvez é covardia. Tirando o talvez, tudo será mais fácil, mas mesmo assim é uma suposição.
E dai eu tento fugir dessa vontade de chorar em outros corpos, em outro corpo, que é uma fuga não tão genial, porque é impossível fugir do atingível, no caso o amor. Não é como fugir de um emprego chato, de uma faculdade sem graça ou de um restaurante com comida ruim. É diferente. É como correr na esteira, você não sai do lugar. É fugir de lembranças, e por mais que você não tenha estado aqui, você está presente em cada rosto e canto desta chata cidade. É como tentar fugir de lembranças que tivemos e que poderíamos ter.
Estou tentando ser a pessoa menos chata possível, mas é que escrever pra mim já não me conforta mais, é como ligar para meu celular e deixar mensagem na caixa postal. Estou bem e feliz, de verdade, não estou triste. Mas sinto que ainda falta algo, algo que eu sei o que é, mas que não é suficiente apenas saber o que é. Sempre escrevo bíblias para você, sempre escrevo textos enormes, quilométricos, e me sinto melhor só de saber que você leu, não precisa responder. Eu, tenho uma caixinha com um anel lindo, um anel que eu mandei fazer para você e que nem sei o que fazer com isso. Escrevo porque quero casar com você, quero de verdade casar com você. Nunca quis tanto casar com você. Nunca quis tanto ter um filho com você e te ver acordando de madrugada só pra me deixar dormir mais algumas horas, porque eu tive um dia difícil. Eu ainda tenho os mesmos planos e objetivos, os mesmos, só esperando o seu ok pra poder por tudo em prática novamente. hoje, 73 dias nos separa, 73 dias de incertezas, e talvez até quando eu chegar na contagem do dia 0, ainda assim tenha ainda mais incertezas, mas, eu quero te encontrar e te abraçar e chorar no teu ombro e dizer o quão quentinho ele é. Eu sou chato, muito chato. Você não aguenta mais essas cartas idiotas e sem graça, mas, só escrevo isso porque escrever pra mim não me serve de nada. Dai eu te peço em casamento agora, de uma forma arcaica, por carta mesmo, e daqui a alguns dias, meses ou anos você me responde quando for sim. Enquanto for não, você não responde e a gente continua seguindo como se estivesse tudo bem, ai um dia fica mesmo.
Escrevo agora com uma música daquela sua artista favorita, que eu odeio, mas até que as vezes esculto só pra poder lembrar um pouco mais de você. Esculto e geralmente me vem um riso frouxo. Só escrevo por isso mesmo, só escrevo porque eu não queria mais escrever para mim e porque acredito que você precisa saber que a vida não anda sem você. Que o céu fica sempre nublado, e mesmo que eu tenha um arco-íris dentro de mim, o cinza nunca sai da cidade, do céu e até das flores. Que mesmo que eu troque beijos por ai, o amor é impossível. Escrevo pra que você saiba que desde que não nos falamos mais, a temperatura da cidade caiu pelo menos uns 10° e que provavelmente você também faça nevar. Isso deve acontecer no dia 25 antes da volta. E desde que não nos falamos mais, o céu sempre chora, eu acredito que de tristeza, porque os deuses sabem reconhecer amor.
Antes que eu esqueça, desde que não nos falamos mais, eu sonho com você todas as noites e essa noite você pediu isso, pediu pra eu falar que eu te amo. Então, como acredito em sonhos, eu falo isso. Eu falo que eu te amo, e mais que isso, eu falo que minha vida só voltará aos trilhos com você sendo a minha eterna paixão, amor e mulher. Mas enquanto a resposta for não, vamos continuar fingindo que está tudo bem, até um dia ficar.
Ass: Miguel
Paula do Vale