Crescemos, crescemos de uma forma nunca antes vista. Evoluímos. Eu agradecia a complacência com a minha loucura e ela falava de crescimento interno e externo. Crescemos. Evoluímos. A gente acha que pra matar uma árvore basta corta o seu tronco ou arrancar a sua raiz. Não lembramos que podar os galhos é uma forma de matar. Matar e viver. Matar e fazer nascer. Esquecemos que na morte também existe a vida, e na vida a possibilidade de morte. A vida é um eterno antagonismo entre viver e morrer. Renascer e deixar-se ir. O amor, é só um detalhe. O estar perto é só um detalhe. Crescemos. Evoluímos. Como nunca antes visto, como nunca antes tivéssemos crescido.
A gente era como água e óleo, leite e café, opostos. Oposto que não se misturavam, e quando conseguiam se misturar não ficava o mesmo. Não falo pelo óleo e água, falo pelo café e leite. Quando se misturam, já não é mais café e leite separadamente, é café com leite. Cada qual com o seu sabor, com sua cor, seu aroma. Cada qual com sua cor. Pra gente o que importa mesmo são os sabores, cores e amores. Crescemos. Evoluímos. Como café com leite, que passa de ser um e outro, e transforma-se em um no outro. Crescemos. Evoluímos. Como essas crianças que estão aprendendo a andar de bicicleta. Primeiro com rodinhas e sendo apoiadas pelos pais, depois com rodinhas, mas já pedala só. Depois sem rodinhas com o apoio dos pais, mais uma vez. E por fim, a cria, cria coragem e toma o mundo, sem rodinhas, sem pais, só com coragem de manter-se equilibrada e pedalando sempre em frente. Crescemos. Evoluímos. Como nessas séries americanas onde os personagens se modificam a cada temporada. Crescemos, evoluímos, alcançamos o nosso melhor. Crescemos. Crescemos juntos, separados e vamos além.
Paula do Vale