terça-feira, 2 de julho de 2013

E Foi Assim

Entra, pode entrar. Retira o sapato pra não sujar o tapete. Fala o que você veio fazer aqui, sem avisar. Obrigada por aparecer, já estava só, sem graça, triste, infeliz. Obrigada por aparecer. Sim, pode ficar com as meias. Aceita um café? Acabei de passar. Pode dizer, o que veio fazer aqui? Desculpa a insistência, só achava que não iria mais te encontrar. Eu sei, estou nervosa, as vezes fico assim e não consigo parar de falar, mas, me diz o que veio fazer. Cuidado, essa xícara está um pouco quebrada, bebe mais pro lado. Aceita açúcar ou ainda continua no adoçante? Que bom, faz tempo que não compro mais adoçante, me fazia lembrar você. Eu sei, perdi alguns quilos a mais, estou mais bela, mas me sinto a fera do conto de fadas. Você também tá mais belo. Pode começar a falar? Desculpa, esse tom de verde combina com você. Precisava falar isso, combina perfeitamente. Você deveria comprar mais roupas nesse tom. Olha, se você veio falar sobre amor e essas coisas, acho melhor a gente partir já pro fim. Desculpa, é que eu não sei se acredito mais nele. Se você veio só presenciar a minha queda, pode voltar para sua casa, que era nossa. Mas se você veio pra dizer que me quer bem e que nunca desejou o mal, pode continuar, mas nada de falar de amor. Sempre esperei por esse dia. Só não fala de amor, que essas coisas já não acredito mais. Fala sobre o seu gato, ele ainda acorda de madrugada só pra te acordar? Que lindo! Ele me faz falta. E você, do que sente falta? Não, não vamos falar dessas coisas de falta que um faz pro outro. Não, não sinto a sua falta. Acho que tá um pouco tarde, você deve ir embora. Eu não tenho medo, por que você acha isso? Tinha do escuro, de trovão, mas, não tenho esses medos que você acha que tenho. Só não falo de amor porque não acredito mais, já falei. Olha, realmente tá na hora de ir, preciso fazer algumas outras coisas. Desculpa, depois você fala o que veio falar. E foi assim, que eu fugi mais uma vez do amor.

Paula do Vale