Eu entendo você. Entendo que de tanto ouvir a mesma coisa e promessa, os ouvidos cansam, a alma desiste de acreditar e a gente se prende a outras coisas. A gente faz acreditar que essas outras coisas, são de fato mais importantes. Mas no fundo não são. Entendo que a vida consiste em acreditar em promessas e levar um choque de realidade quando as mesmas promessas não são cumpridas, isso é viver afinal. Não digo que a culpa é sua em ter acreditado em promessas feitas e não cumpridas, afirmo que a culpa é minha por não cumprir com o prometido. Trato é trato, e o trato era eu sempre estar aí, ao seu lado, com você. E mesmo distante, ainda assim estar ai.
Eu entendo que por mais que eu diga que você é o que de mais importante eu possa ter, e que o que eu mais posso amar, ainda assim você não acredita mais. Acredito que não pela inexistência do amor, e sim, pela quebra da confiança depositada. E por mais que eu diga que pra mim, nem a profissão que eu fui escolhida para amar é tão amada quanto você, e seus olhos, e cheiro, e boca e charme, ainda assim soará como outra promessa que pode ser quebrada a qualquer momento. Eu sei, eu sei! Eu sei que a vida tem dessas coisas, e que promessa é promessa, mas, as vezes a gente mete os pés pelas mãos, e quando vê já foi. Já estamos enfiados até o pescoço com a lama que nós mesmos cavamos e chafurdamos e acumulamos mais e mais. Desculpa.
Desculpa pela quebra, ruptura, medo, frustração, e excesso de amor. A culpa é minha. Você há de aceitar que quando existe amor demais, aumenta a chance do medo e todas essas coisas virem junto. Amor demais, medo demais, anseios demais, nada de menos. Deixa eu te falar uma coisa: -eu quero mesmo. De verdade sempre quis seguir com esses planos malucos de filhos no jardim e você no quintal me esperando voltar. Você lá, tocando o seu violão olhando as crianças com o pé na terra, sentindo cheiro de mato, comendo fruto do pé. Sempre acreditei que isso fosse verdade, que iria acontecer de verdade. Casa comigo!
Casa comigo e faz disso tudo, realidade. Ainda há tempo, porque eu ainda continuei com o plano, então não perdemos muito tempo. Perdemos só alguns beijos, abraços e eu te amo, mas isso a gente recupera em um dia apenas. Porque a saudade que eu sinto, só vai ser saciada, quando eu devorar você por inteira. Casa comigo? Diz que sim, porque viver com tanto não é chato e chega uma hora que o sim é inevitável, tipo agora. Diz sim, porque no fundo eu sempre soube que você também acreditava que era possível criar filhos com pé na terra e comendo fruta no pé, mesmo vivendo em uma era tecnológica.
Vamos fazer como esses filmes, nos rever, nos reapresentar de uma forma formal, como se nunca tivéssemos nos visto. Nos apaixonar novamente, declarar amor eterno, e desta vez prometo com mais promessas, que o pra sempre de fato existirá. Só fica, puxa a cadeira, toma um café, fala sobre o seu sabor de soverte favorito, mesmo que eu já saiba. Faço um jantar nipônico que você ama, fingindo que não sei. Coloco aquele cantor de fundo, acreditando que você não vai gostar, mesmo sabendo que é o teu favorito. Fica, e vamos refazer o amor e recolorir nossas vidas, porque não sei a sua, mas a minha só tem cinza. Só fica hoje, amanhã e depois, daí o pra sempre vem com o tempo e todo o tempo será pra sempre. Fica, desfaz as malas, ocupa a tua parte do armário e dorme ao meu lado. Fica e diz sim. Recolore a minha vida com os teus tons amarelos e verdes. Traz o teu olhar pra cá de novo e vamos colorir o mundo. Só volta, diz sim e me espera na varanda com o violão e aquela música que sempre será nossa.
Paula do Vale