quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Da série: as cartas relidas, não dadas e quase queimadas.

27 de fevereiro de 2013,

Eu não consigo mais dormir. Sinto a sua falta. Sinto tanto a tua falta. As vezes o meu peito lateja e eu não tenho nem você, nem seu cheiro, nem beijo por perto. As vezes eu penso em ligar e te dizer que eu só tenho medo dessa distância. Só queria ter coragem de dizer pra você o quanto te amo.

Eu continuo sem dormir, sem comer. Mais três dias se passaram e eu  só bebo e fumo. Fumo e bebo. Sinto falta de você e isso me cega, me emudece, me trava pra todas essas coisas novas que estão ao meu redor. Só consigo pensar como seria minha vida com você aqui. Você fez tudo certo. Tudo tão certo que eu estou assim, dependente de você. Não sei por onde começar. Não sei como devo começar a me refazer, porque sou toda cheia de metades. E até as metades tem pedaços teu. Tem pedaços teu em minha mala, em minhas roupas, no meu jeito, nas roupas que não trouxe mas sei que tenho, no seu cheiro que ainda tá em tudo que toco, mesmo que você não tenha tocado. Você não saberia o quanto isso é louco, ou até saberia demais, mas você não demonstra!

Eu esperei esse tempo todo uma ligação tua. Só queria acordar com uma ligação tua me acordando pra fazer eu me sentir mais em casa. Mais com você. Te sinto tão perto de mim e tão longe ao mesmo tempo. Tão perto e tão longe. Eu te amo tanto e te quero tão perto, mas devo ser louca. Só espero uma ligação tua. Só queria uma ligação tua dizendo vamos conversar. Era tão claro o meu amor, porque você não luta por ele? Acho que pra você é um alívio se ver livre de mim. Você merece ser feliz, eu não te faço feliz. Um dia você poderá entender que o amor não tem sentido lógico. Não tem lógica. Não tem dessas coisas definidas. Eu sou a indefinição. Sou uma bela indefinição que te ama loucamente, mas, nem na minha mente eu sei organizar isso direito. Desculpa por isso. Desculpa por ser assim. Eu só queria dizer que você pra mim é o amor mais gostoso que já sentir, quis e tenho em toda minha vida. Não acredito em almas gêmeas, mas, você é a minha. Deve ser. Um dia tenho coragem de falar tudo isso. Espero não ser tarde demais. Desculpa por ser assim: covarde.

Ass: Paula do Vale

Da série: as cartas relidas, não dadas e quase queimadas.