segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Era uma dessas noites comuns. Ela chegou em casa depois de alguns dias fora, abriu a porta, a janela e viu a lua sorrindo delicadamente para ela. Um sorriso maroto, desses sorrisos simples e singelos. Ela sorriu de volta, abriu um pouco mais a janela e foi tomar um banho pra lavar a alma. Friccionou o couro cabeludo, afim de tirar toda a impureza que pudesse ter nela e em seus pensamentos. Ela limpou tudo de forma a deixar tudo ainda mais no lugar.

Abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água e bebeu, querendo sanar possíveis estragos que poderia ter sido causado no fim de semana. Ela se sentia bem, amada, acompanhada, solitária, vencedora. Ela se sentia daquele lugar.  Depois de mais de três anos, ela de fato se sentia morando ali, vivendo ali e amava isso. Sentia pela primeira vez as tão faladas curvas históricas daquela cidade. Os desvios pontuais daquela cidade. A magia artística daquela cidade, as pessoas receptivas daquela cidade. O amor naquela cidade. O amor mais que amável daquela cidade. Amor em forma de ruas, vielas, pedras, buracos, pessoas, beijos e abraços.

Ela sentou alguns minutos no sofá, como que pra descansar as pernas, a vida e coração. Ela sentava pra distrair o coração e pensamento, levava pra outros lugares, pra outras vidas. Ela queria parar de pensar em coisas antigas. As vezes conseguia, as vezes não.