sábado, 19 de outubro de 2013

Gosto quando você faz assim. Invade sorrateiramente a minha vida, como quem não quer nada e vai me pegando aos poucos e me leva aos poucos pra junto de ti. Você sabe que não quero essas coisas de amores e paixões, não quero essas coisas de envolvimento, porque quando existe fim existe dor. Mas dai você me liga de manhã, pede pra eu falar o que vou querer jantar na chegada, o que vou querer de ti. Fala que estará lá me esperando, com esse sorriso que só você tem. Que vai levar a sua melhor canção pra me encantar e cantar pra nós. Que você quer se encaixar no nós e sem nó. Que você quer ser meu laço. E lança essa voz que me leva e encanta e me canta sempre que dá.

Eu falo que estava feliz, que nem sabia o motivo- mesmo sabendo- o por que disso, mas estava feliz e amando de fato estar me libertando aos poucos de algumas correntes e você riu. Ria como quem dizia você é minha, só você não viu.  E eu ria porque você ria. Riamos! Foi estranho, foi lindo, foi bom. Foi uma sensação de não sei o que. E você falava que ia fazer uma surpresa, um jantar desses legais e depois ia me mostrar um filme incrível que você tinha acabado de assistir. Eu gostei. Eu disse que você queria me laçar e você dizia que já laçou . Eu falava que você nem sabia o que dizia e você dizia que de amor. Eu falava que nem pensar e você dizia que só era questão de tempo. Eu falava que tempo nunca foi meu amigo e você ria.

Queria passar o dia ouvindo a tua voz e você disse que precisava desligar. Eu disfarcei e disse que também, rimos e falamos por mais um tempo. Você cantou uma nova canção e eu achei lindo. Eu perguntei se você achava que pra mim você era apenas uma junção de projeções dela e você disse que ão ligava, porque você era você. Eu disse que eu era eu e rimos mais uma vez. Você me deixava tão leve, tão bem. Você me fazia rir como fazia com ela e eu achava que nunca mais seria possível rir assim, dessa forma suave. Falei que sentia falta de você, mas que sentia muita falta dela. Você calou e falou que era normal. Eu pedi desculpas, e você disse que entendia. Eu disse que estava estranha e você perguntou se estava bem, eu disse que sim. Disse que sim por conveniência. Estava estranha no fundo. Eu não entendia o porque dela ligar, dela perguntar coisas de rotina, coisas bobas. Não falei disso com você, porque poderia se machucar. E porque tinha prometido a ela que seria um segredo nosso. Meu e dela.

Ela deve sentir falta de rir comigo também, mas, isso também é substituível. Eu sorriu com você. Um riso quase igual. E depois de um tempo falando da vida, de jantar, de filmes, de família, de festas, de amigos, a gente respirou fundo quase que ao mesmo tempo e disse: preciso ir. E fomos. Fomos sabemos que ainda estamos aqui. Isso é bom. É, eu acho que eu gosto de você. Acho que gosto da projeção que vejo em você. Acho que gosto de você, porque você é muito ela.