Chovia. Chovia forte naquela noite. Tinha trovão também. A jovem tinha medo de trovão, tinha pavor de trovão, mas incrivelmente naquele dia, ela não sentiu tanto medo. Ficou feliz, olhou os pingos caindo. Os raios que formavam uma pequena valsa no céu, os trovões que eram a trilha sonora, com o ritmo dos pingos que caiam compassadamente. Era madrugada, tinha muita gente na rua. Ela decidiu que queria comprar cigarro. Levantou, pegou as chaves e foi daquele jeito mesmo. Os pingos a molhavam com carinho, fazia tempo que ela não sentia a chuva, os pingos, o vento gelado. Ela não tinha mais tanto medo de trovão. Fez o percurso, comprou cigarro, voltou pra casa, trancou a porta e pensou que era menos um medo para matar.
Paula do Vale