sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta-feira 13

E você disse que não gostava de comemorar datas, como que reproduzisse o meu discurso de anos. No fundo você gosta sim, é só uma forma de se manter por detrás dos escudos. A gente faz isso sempre, tem escudos e usa-os. Eu tenho um monte. Não gosto de rótulos, não gosto de datas, não gosto de viagens, não gosto de gastar dinheiro atoa, não gaste dinheiro atoa comigo. Tenho tantos que nem consigo lembrar de todos. No fundo, a gente alimenta os escudos pra pôder seguir seguras. Porque quem de fato não gosta de comemorar datas, não lembra de datas, esquece. Até hoje eu lembro de você e eu nas águas do porto, e eu dizendo: acho que tá na hora de você me pedir em namoro. E você me balançava de um lado para o outro, como se tivesse fazendo a dança das águas, com um sorriso no rosto e olhando no meu olho. Olhando no meu olho disse: senhorita Paula, quer namorar comigo? E eu correspondi o sorriso e disse sim. Dia 14 aquele.

Ai hoje, um dia antes de fazer 2 anos e uma gestação deste dia, você me diz que não sou mais teu bem. Tudo bem, tudo passa e tudo passará. Eu passei, entendo. Hoje, sexta-feria 13 de terror, pra mim pelo menos, tento reconstruir o chão que se abriu com essa frase. Fazendo um trabalho de pedreiro, preenchendo o buraco com lembranças, verdades, segredos e aguando com lágrimas, que é pra que o chão não se abra mais. Hoje é dia de chorar mesmo, de me debruçar em lágrimas mesmo, de querer morrer mesmo, de achar que não amarei nunca mais e que pra mim todas as pessoas são iguais, porque nenhuma é você. Hoje é sexta-feira treze. Dia de superstição, de acreditar que se a gente seguir uma série de regras, nada de mal vai acontecer. Estou seguindo e ainda assim é como que um piano caísse em minha cabeça, e eu nem passei por debaixo de uma escada ou quebrei um espelho.

Porém, apesar das lágrimas pesadas do rosto, que caem como uma cachoeira qualquer, eu sei que estas bem. E você estando bem me traz até uma certa paz, mas não faz diminuir a dor de perder um amor. Mas tudo bem, a vida é isso de encontros e desencontros, de choros desmedidos e risadas abobalhadas, cada qual em seu dia, ou até no mesmo dia. Hoje é sexta-feira 13, e quem sabe o 13 não seja meu número de sorte? Porque eu ainda não tenho, então posso escolher esse mesmo, 13. Porque 13 vem antes do 14, e dai terei certeza que mesmo que venha uma tempestade de lembranças que ficou do lado de fora, por causa do meu trabalho mal acabado de tapar o buraco que foi aberto hoje, ainda assim, lembrarei que 13 é o meu número da sorte e que 14  foi o inicio do que foi bom,  mas que passou.

Um velho ciclo se fecha, um novo se abre, e eu ainda espero o trem passar.

Paula do Vale