sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Desatenção

Ele disse que uma pessoa especial não podia chorar, ou melhor, deveria chorar, mas aos poucos ir diminuindo o choro. Disse isso é declamou Anais Nin:"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela" 


Disse que eu não tinha fé cega de criança, mas que ainda era uma criança com alma de criança, e eu acreditei. Ele falou que nada é eterno, que dores são passageiras, e eu acredite. Ele disse que eu não precisava não acreditar mais, só era pra acreditar menos. Disse que via no meu olho amor, porque eu era amor, e eu mais uma vez acreditei. Disse que meu olhar era como um caleidoscópio e ninguém nunca tinha me dito isso, ninguém tinha reparado nisso, nem eu. Ninguém nunca tinha dito nada nem do meu olhar, nem do meu sorriso, nem de meu cheiro, nem do meu jeito. Ninguém nunca nem soube me descrever. Como eu queria amar esse rapaz, mas, não é assim. Não funciona assim. E eu chorei. Um choro tímido. E depois de chorar muito, chorar muito, ele só me tirou pra dançar e disse que tudo ia ficar bem, porque ele estava ali cuidando de mim e de minha dor, e mais uma vez acreditei, beijou minha testa e bailamos, e estamos bailando até agora ao som de Chico.


Paula do Vale